Ouro ainda vale a pena?
Fernanda Rocha
| 15-01-2026

· Equipe de Ciências
Ei, Lykkers! Vamos falar sobre algo que parece atemporal em um mundo dominado por carteiras digitais e pela volatilidade das criptomoedas: o peso sólido e frio de uma barra de ouro.
Há milênios, o ouro é um símbolo de riqueza. Mas, em um portfólio moderno cheio de ações, ETFs e títulos, o ouro físico ainda tem espaço ou virou apenas uma relíquia?
Pense nele não como uma forma de enriquecer rapidamente, mas como uma possível âncora — um estabilizador para o seu navio financeiro quando os mercados ficam turbulentos. Vamos entender por que e como esse ativo antigo ainda pode fazer sentido hoje.
Por que o ouro? A proteção atemporal
O principal superpoder do ouro em um portfólio não é o alto crescimento, e sim a preservação. Ele é famoso por ter baixa correlação com ações.
Quando os mercados de renda variável despencam em uma crise, o ouro costuma se manter estável ou até subir, já que os investidores buscam segurança.
Ele funciona como proteção contra dois grandes medos:
1. Inflação: quando a moeda perde poder de compra, ativos tangíveis como o ouro tendem a preservar seu valor;
2. risco sistêmico: é o ativo definitivo fora do sistema. Não há risco de contraparte, nenhum CEO pode administrá-lo mal e ele não é um passivo no balanço de ninguém.
A questão da alocação: quanto é o ideal?
É aqui que entra a sabedoria. O ouro não foi feito para ser o motor do seu portfólio, e sim o amortecedor de impactos. A maioria dos consultores financeiros recomenda uma alocação pequena e estratégica, normalmente entre 5% e 10% do total dos seus investimentos.
Por que tão pouco? Porque o ouro tem um custo de oportunidade no longo prazo — ele não paga dividendos nem juros.
O investidor lendário Warren Buffett critica isso há anos, explicando que mesmo daqui a um século, uma enorme pilha de ouro “continuará exatamente do mesmo tamanho e ainda incapaz de produzir qualquer coisa” (Carta Anual aos Acionistas da Berkshire Hathaway, 2011).
Ele prefere ativos produtivos, como empresas.
É um argumento válido, e justamente por isso o papel do ouro é específico: seguro, não crescimento.
No livro "O novo argumento a favor do ouro" o estrategista de investimentos James Rickards defende que manter uma parcela de ouro no portfólio funciona como um seguro: você aceita um retorno relativamente baixo em troca de uma proteção significativa contra choques extremos do mercado ou do sistema monetário, os chamados eventos de risco de cauda.
Ouro físico vs. papel: o dilema da tangibilidade
Aqui está a decisão crucial: você quer o metal de verdade ou apenas um direito sobre ele?
Ouro físico (barras, moedas): você possui um ativo tangível. Ele oferece privacidade e controle total. As desvantagens? É preciso pagar um valor acima do preço à vista, organizar um armazenamento seguro (cofre bancário ou doméstico) e contratar um seguro adequado;
“ouro em papel” (ETFs como o GLD): é muito mais prático. É negociado como uma ação, sem a dor de cabeça do armazenamento. Porém, você possui cotas de um fundo que detém ouro, não o metal em si. Isso introduz um risco de contraparte pequeno, mas existente.
Para a função de âncora, muitos puristas defendem a posse física. A tranquilidade de realmente segurar sua riqueza faz parte do valor psicológico do ouro.
Seu plano de ação: como usar o ouro com sabedoria
1. Defina sua alocação: comece pequeno, dentro da faixa de 5% a 10%. É um investimento de longo prazo, não uma operação de curto prazo;
2. escolha o formato: decida se o seu objetivo é segurança máxima (ouro físico) ou pura conveniência (ETF). Muitos investidores experientes optam pelos dois;
3. compre de fontes confiáveis: utilize apenas distribuidores de ouro reconhecidos ou grandes corretoras. Evite moedas numismáticas para fins de investimento e prefira moedas bullion conhecidas (como Águias Americanas e Maple Leafs Canadenses) ou barras de refinarias reconhecidas;
4. garanta a segurança: se optar pelo ouro físico, tenha um plano de armazenamento seguro definido antes da compra.
Lykkers, o ouro é uma classe de ativo única. Ele não vai te deixar extremamente rico, mas pode ajudar você a dormir melhor à noite. Em um mundo cada vez mais abstrato e digital, sua materialidade duradoura oferece um tipo especial de serenidade financeira. Será que essa tranquilidade vale um pequeno espaço no seu portfólio?