Por que sonhamos tanto?
Amanda Fernandes
Amanda Fernandes
| 12-01-2026
Equipe de Astronomia · Equipe de Astronomia
Por que sonhamos tanto?
Lykkers, você já se perguntou por que nosso cérebro cria mundos tão vívidos e estranhos enquanto dormimos? De voar por céus infinitos a correr em câmera lenta, os sonhos podem parecer aleatórios, mas incrivelmente reais.
Mas cientistas acreditam hoje que sonhar é muito mais do que entretenimento noturno — é uma função vital que mantém nossa mente equilibrada, criativa e emocionalmente saudável.
Ao explorar a ciência do sono, descobrimos que sonhar é uma das formas mais fascinantes de o cérebro se reparar e se reorganizar todas as noites.

A ciência por trás dos sonhos

Os sonhos acontecem principalmente durante o sono REM (movimento rápido dos olhos), uma fase que começa cerca de 90 minutos depois que adormecemos.
Durante o REM, os olhos se movem rapidamente sob as pálpebras fechadas, a atividade cerebral aumenta e a frequência cardíaca sobe levemente — quase como se estivéssemos acordados. Ainda assim, os músculos permanecem relaxados, impedindo que a gente “viva” os sonhos fisicamente.
Pesquisadores acreditam que o sono REM ajuda a armazenar memórias e a eliminar informações em excesso. Um estudo publicado na revista Science em 2019, liderado pelo Dr. Thomas Kilduff, mostrou que o cérebro reduz conexões neurais durante o sono para evitar sobrecarga.
Nessa fase, várias áreas do cérebro ficam mais ativas. A amígdala, responsável pelas emoções, e o hipocampo, ligado à memória, trabalham intensamente. Já o córtex pré-frontal, associado à lógica e ao controle, reduz sua atividade — o que explica por que os sonhos costumam ser ilógicos, porém emocionalmente intensos.
Esse padrão único permite que processemos sentimentos e lembranças de formas impossíveis quando estamos acordados.

Sonhos e equilíbrio emocional

Um dos principais motivos pelos quais sonhamos é processar emoções. Quando vivemos sentimentos fortes durante o dia — alegria, medo, raiva ou tristeza — o cérebro os revisita nos sonhos para ajudar a compreendê-los e regulá-los.
Por isso, é comum vermos pessoas conhecidas, situações estressantes ou questões não resolvidas enquanto dormimos.
Cientistas descrevem o sonho como uma “terapia noturna”. É a maneira que o cérebro encontra para suavizar o impacto emocional das experiências, permitindo que acordemos mais calmos e equilibrados.
Estudos mostram, por exemplo, que pessoas que dormem bem após um dia estressante costumam se sentir emocionalmente mais leves na manhã seguinte. Os sonhos são o sistema natural de cura da mente.

Construindo a memória durante o sono

Sonhar também desempenha um papel crucial na consolidação da memória — o processo de transformar informações de curto prazo em conhecimento duradouro. Enquanto dormimos, o cérebro revisa e organiza tudo o que aprendemos ao longo do dia, decidindo o que guardar e o que descartar.
Durante o sono REM, as conexões entre neurônios se fortalecem, ajudando a lembrar melhor idiomas, habilidades e experiências. Isso explica por que uma boa noite de sono melhora o aprendizado e a capacidade de resolver problemas.
De certa forma, os sonhos são a etapa final da “revisão diária” do cérebro, transformando informações dispersas em compreensão coerente.

Sonhos e criatividade

Os sonhos não são apenas terapia emocional e ferramentas de memória — eles também impulsionam a criatividade. Quando o controle lógico diminui, o cérebro passa a conectar ideias de maneiras inesperadas. Por isso, muitos artistas, inventores e cientistas atribuem grandes descobertas aos sonhos.
Um exemplo famoso é o do químico Dmitri Mendeleev, que sonhou com a estrutura da tabela periódica. Esse caso mostra como a mente pode gerar ideias brilhantes enquanto descansa. Ao suspender a lógica, o sonho libera a imaginação, ajudando-nos a pensar além dos limites.

O que influencia nossos sonhos

Diversos fatores moldam o que e como sonhamos:
qualidade do sono: noites mal dormidas ou interrompidas encurtam os ciclos REM, reduzindo a frequência e a nitidez dos sonhos;
estresse e emoções: níveis elevados de estresse podem provocar pesadelos, enquanto estados de calma favorecem sonhos mais agradáveis;
experiências do dia a dia: o que lemos, assistimos ou pensamos antes de dormir costuma aparecer nos sonhos;
alimentação e medicamentos: cafeína e certos remédios podem interferir no sono REM, alterando a intensidade dos sonhos.
Em resumo, nossas escolhas diárias influenciam diretamente o mundo dos sonhos — tornando rotinas tranquilas e relaxamento essenciais para uma mente saudável.
Por que sonhamos tanto?

O panorama maior dos sonhos

Embora os cientistas ainda debatam exatamente por que sonhamos, uma coisa é clara: os sonhos são essenciais para o bem-estar. Eles ajudam a equilibrar emoções, fortalecer memórias e liberar a criatividade. Sem eles, nossa saúde mental, capacidade de aprendizado e resiliência emocional seriam prejudicadas.
Alguns pesquisadores sugerem até que os sonhos funcionam como um espaço de ensaio mental, permitindo praticar respostas a desafios ou explorar novas possibilidades de forma segura. Vistos assim, os sonhos não são aleatórios — são ferramentas poderosas que nos preparam para a vida real.

Sonhe mais fundo

Lykkers, todas as noites nossa mente pinta mundos vibrantes onde emoções, memórias e imaginação se entrelaçam. Esses sonhos não são aleatórios — são a maneira silenciosa que o cérebro encontra para se curar, aprender e criar.
Então, da próxima vez que você adormecer, lembre-se: sua mente continua desperta à sua maneira misteriosa, tecendo histórias que ajudam você a crescer.
Vamos continuar abraçando essas jornadas noturnas, anotando o que lembramos e buscando a sabedoria escondida nelas. Talvez a próxima faísca de criatividade ou momento de clareza esteja esperando no sonho de hoje à noite. Durma bem, sonhe sem medo e deixe sua imaginação guiar você, mesmo no escuro.