O som hipnótico da tabla
Amanda Fernandes
Amanda Fernandes
| 23-12-2025
Equipe de Fotografia · Equipe de Fotografia
O som hipnótico da tabla
A música tem o poder de nos emocionar, e poucos instrumentos capturam ritmo e sentimento como a tabla.
Hoje, exploramos esse instrumento de percussão icônico da Índia, conhecido por seus sons característicos e sua incrível versatilidade.
A tabla é mais do que apenas um tambor — é uma ponte que conecta ritmo, cultura e emoção. Há séculos, músicos utilizam a tabla na Índia, em países vizinhos como Nepal e Bangladesh, no Sri Lanka e até em partes da Indonésia.
Seu som único pode transformar instantaneamente uma melodia simples em uma performance expressiva e envolvente. Ao compreender seus fundamentos, conseguimos valorizar de verdade como esse instrumento molda a música clássica, folclórica, devocional e até produções modernas de fusão.

A anatomia da tabla

Podemos começar observando o que torna a tabla tão singular. Na verdade, ela é formada por um par de tambores, cada um com uma função distinta. O tambor menor, chamado Dayan ou Tabla, é tocado com a mão direita e produz sons agudos e nítidos.
O tambor maior, chamado Bayan, é tocado com a mão esquerda e cria sons graves profundos e ressonantes. Cada tambor possui uma membrana de pele animal esticada, e o círculo preto no centro, chamado syahi, permite que o instrumento produza diferentes alturas sonoras, dependendo de onde e como é tocado.
Ao usar as pontas dos dedos, a base da palma ou até a lateral da mão, além de ajustar a pressão, é possível criar uma ampla variedade de sons. Isso faz da tabla não apenas um instrumento rítmico, mas também melódico, capaz de expressar emoções complexas.

Como tocamos

Tocar tabla é uma arte de precisão e expressão. Cada batida, conhecida como bol, representa um som específico. Ao combinar esses bols, formamos padrões rítmicos chamados theka. Esses padrões se repetem em ciclos chamados avartan, que dão estrutura à música.
Dentro desses ciclos, é comum improvisar, adicionando um toque pessoal sem perder o ritmo. Por exemplo, pressionar a palma da mão esquerda sobre o Bayan e deslizar para frente altera a tensão da pele do tambor, produzindo um som rico e modulado.
Cada variação pode transmitir energia, tranquilidade ou até uma sensação de suspense. Assistir a um bom percussionista de tabla é como ver uma conversa acontecer, em que cada movimento das mãos e cada toque contam uma história.

A tabla na música

Percebemos que a tabla é central nas tradições da música clássica do norte do sul da Ásia. Ela vai além de acompanhar melodias; orienta outros instrumentos e acrescenta profundidade às performances vocais.
Normalmente, é tocada junto com sitar, harmônio ou flautas, oferecendo uma base rítmica sólida e, ao mesmo tempo, espaço para improvisação. Além da música clássica, a tabla também aparece em tradições folclóricas, músicas devocionais e projetos contemporâneos de fusão.
Em colaborações modernas, por exemplo, seus ritmos se misturam ao jazz, à música eletrônica e a sons do mundo todo, mostrando o quanto esse instrumento é versátil e atemporal.

Por que gostamos tanto

Não podemos ignorar o significado cultural e emocional da tabla. Sentir as vibrações nas mãos, ouvir as mudanças de tom e acompanhar a improvisação tornam o ato de tocar uma experiência totalmente imersiva. Aprender até ritmos simples pode melhorar a concentração, a coordenação motora e a paciência.
Não se trata apenas de fazer música — é uma prática quase meditativa, que conecta mente, corpo e emoções. A tabla estimula a criatividade e a autoexpressão. Quando dominamos um ritmo ou criamos nossa própria variação, surge uma sensação de realização e alegria que poucos instrumentos conseguem proporcionar.

Começando a aprender

Para quem tem curiosidade, iniciar na tabla é mais simples do que parece. É possível encontrar aulas para iniciantes na internet, procurar escolas de música locais ou até começar com um pequeno tambor de prática em casa. Praticar bols diariamente ajuda a entender o ritmo e a coordenação das mãos.
Com o tempo, aprendemos a tocar thekas completos e até a improvisar. A paciência é fundamental — a beleza mais profunda da tabla se revela aos poucos, à medida que escutamos com atenção, experimentamos sons e sentimos cada batida.
Muitos estudantes percebem que apenas 15 minutos de prática por dia já trazem melhorias visíveis e tornam a música mais prazerosa.
O som hipnótico da tabla

Vivenciando a tabla

Também adquirimos uma perspectiva cultural única por meio da tabla. Assistir a uma apresentação ao vivo, seja em um templo, em uma sala de concertos ou em um festival, permite sentir a energia dos ritmos em tempo real.
A interação entre o Dayan e o Bayan, somada à improvisação de um músico experiente, cria um efeito quase hipnótico. Sentimos o pulso de séculos de tradição e criatividade. Para qualquer pessoa interessada em música, assistir a uma apresentação de tabla pode ser tão enriquecedor quanto aprender a tocá-la.

Considerações finais

A tabla é mais do que um instrumento de percussão — ela abre portas para o ritmo, a cultura e a expressão pessoal. Ao explorar seus sons, técnicas e padrões rítmicos, podemos apreciar a música de forma mais profunda e significativa, conectando-nos a séculos de tradição.
Ouvir seus timbres ricos, praticar seus ritmos ou tocar ao lado de outras pessoas nos permite sentir cada batida e vivenciar a magia única que ela oferece. Vamos levantar as mãos e entrar no mundo cativante da tabla, deixando que seus ritmos nos inspirem e energizem todos os dias.