Jogos que transformam
Carolina Santos
| 23-12-2025

· Equipe de Jogos
Todos já ouvimos opiniões divergentes sobre videogames—alguns dizem que são vícios que desperdiçam tempo, outros acreditam que melhoram o cérebro. Mas qual é a verdade?
Os videogames são bons ou ruins para nossa mente?À medida que mais pessoas passam tempo jogando, desde apps casuais até títulos complexos de estratégia, vale a pena analisar mais de perto.
Vamos explorar como os jogos realmente afetam o cérebro—os pontos positivos e negativos—para jogar de forma mais inteligente, não apenas mais tempo.
Coordenação e tempo de reação aprimorados
Um benefício claro de jogar videogame é a melhora na coordenação motora. Ao jogar, especialmente jogos de ação ou tiro, o cérebro processa constantemente informações visuais e diz às mãos como reagir. Isso melhora o tempo de reação e habilidades motoras.
Estudos laboratoriais sobre atenção visual, como o artigo “Action Video Game Modifies Visual Selective Attention” de C. Shawn Green e Daphne Bavelier, mostram que jogadores tendem a responder mais rápido e com mais precisão a estímulos visuais do que não-jogadores em tarefas específicas.
Na vida real, isso pode se traduzir em reflexos mais rápidos ao dirigir ou praticar esportes, embora os benefícios não se apliquem a todas as habilidades. Pesquisas menores, como “The Impact of Video Games on Training Surgeons in the 21st Century”, sugerem que certos treinos baseados em jogos podem ajudar cirurgiões a praticar controle motor fino, mas jogar sozinho não transforma ninguém em cirurgião habilidoso.
Habilidades de resolução de problemas
Muitos jogos exigem mais do que vencer—they demandam planejamento, estratégia e tomada de decisões. Jogos de quebra-cabeça, aventuras de RPG ou estratégias em tempo real nos desafiam a pensar à frente, adaptar rapidamente e resolver problemas de maneira criativa.
Jogos como Portal, Mini Metro e Cities: skylines estimulam o raciocínio lógico e ensinam a lidar com consequências. Eles aumentam nossa percepção de padrões e melhoram a capacidade de abordar desafios de diferentes ângulos, habilidades úteis na escola, no trabalho ou no dia a dia.
Atenção e memória
Surpreendentemente, videogames também podem aprimorar certos tipos de atenção e memória. Jogos rápidos treinam o cérebro a alternar foco, acompanhar múltiplos elementos na tela e memorizar informações importantes.
Pesquisas, incluindo meta-análises como “Effects of Action Video Game Play on Cognitive Skills”, indicam que jogadores tendem a ter memória espacial e atenção visual mais aguçadas do que não-jogadores.
Jogos que exigem memorizar mapas, navegar por mundos grandes ou lembrar de missões aumentam a capacidade de armazenar e processar informações. Com o tempo, isso fortalece a memória de trabalho e a flexibilidade cognitiva.
A neurocientista cognitiva Daphne Bavelier aponta que jogadores frequentes de certos jogos de ação desenvolvem habilidades de atenção e tomada de decisão mais fortes, desde que joguem com moderação.
O lado negativo: vício e excesso
Embora haja muitos benefícios, nem tudo são boas notícias. Um dos maiores riscos é o vício. Jogos são projetados para serem recompensadores, com conquistas, níveis e surpresas que mantêm o jogador preso. Sem cuidado, é fácil perder a noção do tempo ou usar o jogo como fuga das responsabilidades da vida real.
Pesquisas, como “Exposure to Video Games: Effects on Sleep and on Post-Sleep Performance”, mostram que jogar demais pode afetar o sono, reduzir atividade física e prejudicar a concentração, especialmente quando o tempo de jogo substitui descanso, movimento ou tarefas escolares, embora nem todo jogador desenvolva um transtorno. Em alguns casos, pode afetar a vida social se o tempo de tela superar interações reais.
Impacto nas emoções e comportamento
Alguns jogos provocam emoções fortes—excitação, frustração ou raiva. Isso é normal em moderação, mas pode se tornar um problema se essas emoções se estenderem à vida real. Jogos intensos ou violentos podem aumentar agressividade em alguns jogadores, especialmente jovens, mas estudos de longo prazo mostram efeitos mistos e frequentemente pequenos.
Mais importante é aprender controle emocional. Se nos sentimos tensos, impacientes ou irritados após jogar, talvez seja hora de fazer uma pausa e se recompor.
Jogar com equilíbrio: hábitos inteligentes
Como aproveitar os jogos sem prejudicar a saúde do cérebro? O segredo é equilíbrio.
Algumas dicas:
• estabeleça limites de tempo para não deixar o jogo dominar o dia;
• faça pausas para descansar os olhos e se movimentar;
• combine jogos com atividades ao ar livre, leitura ou interação social;
• escolha jogos que desafiem o cérebro, não apenas reflexos.
Jogos podem fazer parte de um estilo de vida saudável se formos conscientes de como e por que jogamos.
Conclusão: jogue com inteligência
Videogames não são totalmente bons nem totalmente ruins—they são ferramentas. Tudo depende de como os usamos. Podem aguçar a mente, melhorar foco e até ajudar a relaxar. Mas, se dominarem nosso tempo, também podem trazer problemas.
Então, Lykkers, da próxima vez que pegar o controle ou abrir um jogo no celular, pense em como isso afeta seu cérebro. Você joga por diversão, aprendizado ou apenas por hábito? Jogue com propósito e mantenha a mente tão afiada quanto suas habilidades. Qual é seu jogo favorito e o que ele te ensina?