O mistério das monarcas
Gabriela Oliveira
| 27-11-2025

· Equipe de Animais
Você já se perguntou como uma borboleta consegue viajar milhares de quilômetros? A borboleta-monarca, conhecida por suas asas laranja vibrantes, é uma das viajantes mais impressionantes da natureza.
Todos os anos, essas borboletas fazem uma migração épica da América do Norte até o centro do México, percorrendo distâncias de até 4.800 quilômetros. Mas como elas conseguem se orientar nessa jornada?
E por que isso é tão importante para sua sobrevivência? Vamos explorar o fascinante padrão migratório da borboleta-monarca e entender a ciência por trás desse feito extraordinário.
A longa jornada da monarca
A borboleta-monarca não é um inseto comum — ela é famosa por sua migração em várias gerações. Todos os anos, milhões de monarcas viajam para o sul, rumo ao centro do México, onde passam o inverno reunidas nas mesmas florestas montanhosas.
Essa migração é uma das mais longas e complexas do mundo entre os insetos, e por muitos anos intrigou pesquisadores.
Curiosamente, nem todas as monarcas fazem o trajeto completo.
As que nascem no norte dos EUA e no Canadá começam a migração no fim do verão ou no início do outono, enquanto as que nascem no sul dos EUA e no México geralmente não migram. Trata-se de uma migração de várias gerações, o que significa que as borboletas que iniciam a jornada não são as mesmas que a finalizam.
Como as monarcas se orientam?
Você pode estar se perguntando como borboletas com cérebros tão pequenos conseguem percorrer distâncias tão longas e encontrar exatamente os mesmos locais de inverno no México ano após ano.
A resposta está na combinação de diferentes formas de navegação:
bússola solar: acredita-se que as monarcas usem a posição do sol como uma bússola para guiá-las para o sul;
campos magnéticos: estudos recentes sugerem que as monarcas também conseguem perceber os campos magnéticos da Terra;
memória genética: as monarcas possuem um “relógio interno” que indica quando iniciar e quando encerrar a migração.
O papel do ambiente na migração
O ambiente exerce um papel crucial na migração das borboletas-monarca. Elas dependem de condições específicas para começar sua jornada, como a queda de temperatura e a mudança das estações.
Temperatura: temperaturas mais baixas sinalizam que é hora de iniciar a migração;
fontes de alimento: durante o percurso, as monarcas precisam se alimentar para manter a energia;
áreas de inverno no México: as monarcas se agrupam em florestas específicas no centro do México, que oferecem o clima perfeito até a primavera.
A importância da migração das monarcas
A migração da borboleta-monarca não é apenas um espetáculo da natureza — ela é essencial para a sobrevivência da espécie.
Sobrevivência no inverno: as monarcas entram em um estado semelhante à hibernação;
reprodução: na primavera, durante a viagem de volta, colocam ovos em plantas do gênero asclepias;
polinização: ao migrarem, ajudam a polinizar diversas flores.
Desafios enfrentados pelas monarcas
Mesmo sendo um feito extraordinário, a migração das monarcas enfrenta grandes ameaças.
Perda de habitat: causada pelo desmatamento, agricultura e expansão urbana;
mudanças climáticas: afetam o tempo de migração e a disponibilidade de alimento;
pesticidas: prejudicam tanto as monarcas quanto as plantas das quais dependem.
Como podemos ajudar?
A boa notícia é que qualquer pessoa pode ajudar a proteger as borboletas-monarca.
Plante asclepias: principal alimento das larvas;
reduza pesticidas: prefira métodos naturais ou orgânicos;
apoie iniciativas de conservação: por meio de doações ou voluntariado.
Considerações finais
A migração da borboleta-monarca é um dos grandes mistérios da natureza, um testemunho da resistência e da beleza dessa espécie. Ao percorrer milhares de quilômetros, elas nos lembram da interconexão da vida e da importância de preservar habitats naturais.
Ao apoiar iniciativas de conservação, garantimos que futuras gerações de monarcas continuem realizando essa jornada impressionante pelo continente.