Terra do Silêncio
Rafael Oliveira
Rafael Oliveira
| 31-07-2025
Equipe de Entretenimento · Equipe de Entretenimento
Bem-vindo a uma exploração cinematográfica como nenhuma outra. Se você está em busca de uma história contada através de imagens marcantes, emoções cruas e simbolismo provocador, "Le città di pianura" pode capturar sua curiosidade.
Apresentado na seção Un Certain Regard em Cannes, este filme de Francesco Sossai traz uma narrativa única e poderosa à tela—uma que não se encaixa em nenhuma categoria conhecida, mas se destaca com uma identidade ousada própria.

Um Filme Sem Rótulos

Uma Obra Única de Francesco Sossai
Dirigido por Francesco Sossai, de Sedico, uma pequena cidade no norte da Itália, "Le città di pianura" reflete sua profunda conexão com a região do Veneto. O filme oferece mais do que apenas contar uma história—é um reflexo visual de uma paisagem em transformação. Sem utilizar tramas tradicionais, Sossai conecta momentos e personagens em uma jornada de estrada pouco estruturada que evoca ressonância emocional e reflexão.
Um Mosaico Visual e Emocional
O filme cria uma atmosfera surreal, mas fundamentada, capturando instantâneos da vida diária, tradições desvanecentes e paisagens em mudança. Ele evita gêneros convencionais, misturando realismo com um tom onírico. Tudo na tela—das paletas de cores ao dialeto—trabalha em harmonia para aprofundar a conexão do espectador com os personagens e o cenário.

Os Personagens e Seu Caminho

Uma Jornada Pelo Nordeste da Itália
A história gira em torno de Carlobianchi, interpretado pelo ator de teatro Sergio Romano, e Doriano, retratado por Pierpaolo Capovilla, um ator estreante. Esses dois homens de meia-idade representam uma geração moldada pela prosperidade nos anos 1970, mas deixada para trás após a recessão econômica de 2008. Ambos são cômicos e trágicos—dois personagens à deriva por um mundo que já não os valoriza.
Um Companheiro Inesperado
Sua jornada toma um rumo quando conhecem Giulio (Filippo Scotti), um jovem estudante de arquitetura. O trio viaja por rodovias abandonadas e cidades tranquilas, refletindo o vazio que agora define o que antes foi uma região próspera. Neste canto esquecido do país, os personagens compartilham insights, desilusões e breves momentos de conexão.

Simbolismo e Reflexão

A Identidade que Desaparece
Sossai utiliza elementos visuais para mostrar como o rápido desenvolvimento e as tendências importadas apagaram a cultura e as tradições locais. As rodovias vazias e os prédios sem alma simbolizam a perda da comunidade e a solidão. Locais de encontro vibrantes como restaurantes tradicionais desapareceram, substituídos por estilos de vida desconexos.
Fazendo as Grandes Perguntas
Através da perspectiva externa de Giulio, o filme coloca uma pergunta crucial: como as pessoas podem viver cercadas por tanta história e não se envolver com ela? O filme não prega, mas desafia os espectadores a repensar como o ambiente e a herança estão entrelaçados com a identidade pessoal e coletiva.

Um Cineasta com Visão

Um Olhar sobre o Presente Através do Passado
Sossai se inspira na ideia de que o passado contém uma energia poderosa para o futuro. Ele se refere a isso como o "poder revolucionário do passado"—a capacidade de memórias passadas, estruturas e valores para despertar novas ideias. Sua abordagem é nostálgica e ao mesmo tempo voltada para o futuro, utilizando a tela como um espelho para refletir e questionar as mudanças sociais.
Não Apenas um Filme, Mas uma Conversa
"Le città di pianura" está recebendo atenção notável em Cannes, não como um sucesso de massa, mas como um favorito sussurrado entre os espectadores e críticos. Seu impacto cresce através do boca a boca, convidando discussões sobre o que o cinema pode ser e que histórias merecem ser contadas.

Para Concluir

Caros Lykkers, este filme não se trata de reviravoltas de enredo ou drama alto—trata-se de descoberta, reflexão e mudança. "Le città di pianura" oferece uma experiência cinematográfica envolvente para aqueles que apreciam sutileza, atmosfera e visão social. É um filme que ressoa silenciosamente, mas profundamente, oferecendo novas perspectivas a cada visualização.